A Minha Vida Dupla – Promessas

3º Capitulo – O Treino 16/11/2011

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             -O Benjamin não gosta mesmo de mim! – Digo quando chego ao primeiro piso da casa enquanto observo todo o piso.

            O piso era verde-claro, bege e castanho e é muito simples, um simples corredor com paredes pintadas de verde-claro e chão bege, uma pequena mesa de madeira no meio do corredor com algumas molduras com fotos dos três irmãos e algumas velas verdes e beges.

            -Oh, não digas isso, o Benjamin é assim para quem não conhece bem, ele também foi assim quando me conheceu e sou a irmã da namorada. É só um pouco mais duro contigo porque estamos num caso difícil e acha que não és capaz! – Caroline anda ao meu lado pelo corredor, sorria e encolhia os ombros como uma criança. – Tira os sapatos. – Pede a entrada de uma nova divisão.

            Retiro os sapatos e entramos. É o quarto de Caroline. É lindo, é a cara de Caroline! Todo branco, até o chão que é de alcatifa macia. Tem na parede molduras brancas a fazer o símbolo da paz e do amor com fotografias a preto e branco dela e da sua família, ao pé da janela tem uma cadeira redonda pendurada na parede, parece uma lua em quarto minguante e a sua cama enorme tem ao seu redor uma cortina branco semi-transparente.

            -O teu quarto é lindo, Caroline! – Ainda observo o seu quarto ao pormenor. Acho engraçado ao facto de a Caroline ter o roupeiro aberto e tê-lo desarrumado e a cadeira ao lado cheio de roupas a maior parte delas brancas, a Caroline ao contrário do seu irmão e talvez também da sua irmã é um pouco desorganizada mas mesmo assim tira boa notas tal como o irmão.

            -Obrigada! – Ela sorri alegremente, parece mesmo uma criança. – Foi o Benjamin que o desenhou.

            Esta informação surpreendeu-me, não esperava que uma pessoa como Benjamin fosse capaz ser tão bom designer, que todos os pormenores do quarto condissessem tão bem com a personalidade de Caroline, e que desenha-se um quarto especialmente para a irmã da sua namorada.

            -Para quem tem mau feitio tem muito bom gosto e jeito!

            Caroline dá uma gargalhada.

            -Não precisas de ser má Maria, o Benjamin pode ter um pouco de mau feitio mas isso não significa que tenha mau gosto e que seja mau designer.

            -Continuo a achar que ele tem alguma coisa contra mim!

            -Continuo a dizer que ele é mesmo assim! – Ficamos por segundos em silêncio. – Dá-me o teu portátil.

            Dou-lhe o meu portátil cor-de-rosa e ela começa a abrir o interior dele.

            -Já estamos prontas, podemos ir! – Diz Caroline ao entramos da sala de estar.

            -Já não era sem tempo! Maria, espero que o tempo que chegastes atrasada tenha sido o suficiente para trazeres o fato de treino.

            -Tu não gostas mesmo de mim, pois não Benjamin?

            -Não é uma questão de gostar ou não gostar! É uma questão de seres capaz ou não de teres uma vida dupla!

            -OK, mas gostas ou não de mim? – Não estou com vontade de fazer um escândalo na casa de alguém que mal conheço mas não quero sair daqui até saber o porquê do Benjamin de não gostar de mim.

            -Isso não importa!

            -Sim ou não?

            -Não importa!

            -O que tens contra mim? – Não tenho só a certeza que o Benjamin não gosta de mim mas como tem algo contra mim.

            -Vamos embora, temos mais que fazer! – Diz a Erica calma mas despachada.

            -Ok, mas um dia o Benjamin ira-me responder! – Simplesmente desisto da discussão por vontade a Erica e por respeito a esta e aos irmãos.

            -És sempre assim? – Questiona-me a Erica ao entrarmos nos balneários do ginásio.

            -Assim como?

            -Frontal!? Sim Erica, a Maria está sempre a dizer aquilo que pensa. – A Caroline parece uma criança feliz a falar de algo que conhece bem, a andar atrás da sua.

            -O Benjamin não gosta muito de ser enfrentado mas contigo não haverá problemas. Porque tu tens personalidade. – A Erica pisca-me o olho ao pousar a sua mala num dos bancos. – Eu confio em ti!

            -Eu tenho a sensação que nos vais dar jeito! – A Caroline sorri e faz o mesmo que a sua irmã.

            – O teu sexto sentido raramente te falha – Erica bate suavemente com o seu dedo indicador no nariz na sua irmã.

            -Erica, desculpa ter sido mal-educada em tua casa. – Peço envergonhada.

            -Maria, não tens que pedir desculpas por seres tu mesma. Tens personalidade forte, gostas de enfrentar as pessoas, gosto de ti assim. Não achei que fosses mal-educada, só não achei o momento certo para o enfrentares.

            Sorrio, não esperava que Erica gostasse de mim mal me conhecendo, a maioria das pessoas não gostam muito de mim quando me conhecem, pelo simples facto de me acharem mimada e com mania.

            -O que vamos fazer? Estou cá com uma energia! – Diz Caroline ao chegarmos a saída dos balneários aos saltinhos.

            -Já que estás com tanta energia vai com a Maria descobrir as suas qualidades. – Diz o Benjamin mal-humorado.

            -Queria ser eu a fazer isso!

            -Não quero distracções, Louis! Não há tempo para namorar! – O Benjamin e a Erica partem enquanto Louis dá-me um beijo rápido e vai atrás deles.

            A Caroline e eu começamos a andar pelo ginásio.

            -Que desportos gostas mais, Maria?

            -Nenhum, não gosto de fazer exercício físico! – Comento sem vontade fazer o quer que seja neste espaço.

            -Porquê? As pessoas que não gostam de fazer exercícios físicos também têm desportos preferidos! – A Caroline salta para a passadeira rolante e eu com má vontade faço o mesmo.

            – Gosto de basquetebol e natação – respondo depois de ter pensado uns segundos.

            Caroline faz uma careta e começa a correr mais depressa.

            -Prefiro atletismo ou futebol.

            -Estou cansada! – Desligo a passadeira e volto ao piso e a Caroline faz o mesmo. – Ok. Vamos para onde?

            A Caroline começa a andar muito rápido. Para uma pessoa tão pequena é difícil de acompanha-la.

            -Vamos para o campo de jogos. – Respondo alto o suficiente para eu poder ouvir a distância de diferença que temos.

            Saímos por uma pequena porta de emergência para dois campos pequenos ao ar livre, um de basquetebol e outro de futebol. Sinto um pouco de frio mas agora não voltarei aos balneários para trazer o casaco.

            Caroline pega numa bola de basquetebol que está no balde ao lado da porta e joga para mim e correr para o cesto de basquetebol mais longe.

            -Vamos jogar basquetebol!

            Driblo a bola enquanto corro para perto da Caroline. A minha maneira de driblar e de correr é desajeitado e perco a bola ao bater no meu pé, a bola chega aos pés da Caroline, ela pega na bola, lança e acerta no cesto. A Caroline vai buscar a bola e começamos a jogar.

            -És um pouco desajeitada mas tens boa pontaria! – A Caroline senta-se no chão ao pé do cesto com a bola no colo, como sempre parece uma criança a sorrir. – Vais começar a treinar com armas.

            -O que? – Sento-me ao lado dela. – Queres que eu mato pessoas? Aos tiros e as facadas? – Sinto-me assustada.

            -Não é isso, Maria. Nós só matamos em nossa defesa, só quando sentimos ameaçados e nós querem matar – explica calmamente. – Cada um de nós é fisicamente melhor numas coisas do que noutras e temos que treinar no que somos melhores. Claro, que também temos que treinar as outras coisas. Tu és melhor na pontaria, por isso, vamos treinar isso.

 

2º Capitulo – Os Atrasos. 16/06/2010

Filed under: Sem categoria — CatarinaGL @ 15:05

         

          – Boa tarde, menina Maria. – A Renee, a empregada mais antiga da casa, cumprimenta-me quando entro em casa.

          – Hum. – Tento tirar as chaves da porta. – Olá, Renee.  Tem que chamar alguém para resolver o problema da porta! – Finalmente consigo tirar a chave da porta.

          – Tem razão menina, mas sabe que é o senhor ou William que tratam disso. – O William é o nosso motorista.

          – Eu sei. A minha mãe?

          -A senhora está no quarto a descansar e o senhor já chegou.

          – Já? Onde está? – Fico surpreendida por o Xavier ter chegado tão cedo a casa.

          – Está fechado no escritório. – Renee faz uma cara irónica.

          – Típico. Vou ver a minha mãe, Renee.

          Começo a subir as escadas enquanto a Renee volta para a cozinha.

          – Maria. – A voz do Xavier faz-me parar quase no meio das escadas e volto para trás.

          – Sim, diga. – O seu rosto é duro como já é normal.

          – Devia ter chegado a casa muito mais cedo. Afinal não tem aulas à tarde.

          – Está a controlar-me? – Tento manter a calma.

          – Sim estou, onde esteve? – O seu rosto tornou-se mais dura e a sua voz mais audível.

          – Não tem nada a ver com isso! – Viro-lhe as costas, nas minhas palavras e no meu rosto demonstra ódio e raiva. Sinto ódio por Xavier ainda me tratar como uma criancinha e raiva por não conseguir lutar muito contra isso.

          – Não me vire as costas, Maria! Eu sou teu pai! – A sua voz é calma mas ainda dura e audível.

          – És meu pai, não és o meu dono. – Olho para trás rapidamente sem parar de subir as escadas, o seu olhar é confuso como sempre, nunca percebo o que está a sentir com o seu olhar.

          Bato com os pés bruscamente nos degraus enquanto subo as escadas, não quero esconder a minha raiva nem o meu ódio. Começo a calmar quando estou próximo do quarto da Amália e do Xavier. Bato a porta depois abro-a e espreito lá para dentro.

          – Mãe? Posso entrar? – Falo na minha língua materna, o português.

          – Sim querida, entra – diz com uma voz baixa com uma perfeita pronúncia portuguesa; está deitada na cama e parece que tinha acabado de acordar. Entro no quarto e sento-me na cama ao lado da Amália.

          – Estiveste a discutir com o teu pai? – O seu rosto é ensonado, deve ter despertado com a nossa discussão.

          – Sim tivemos. – Pego na mão dela.

          – Maria, não contraries o teu pai! – Ela observa-me enquanto eu brinco com os seus dedos.

          – Oh mãe, já sabe como ele é para mim, não me peça para não o contrariar. Ele é duro, controlador e rígido para comigo. Ele espera mais de mim, espera mais do que eu consigo ser. – Agora olho-lhe nos olhos. – Ele trata-me como uma criança.

          – Eu sei, princesa. – Ela acaricia os meus longos cabelos pretos. – Estou a pedir que tenhas mais paciência com ele.

          – Porquê irei de ter paciência por alguém que não me compreende? – O meu rosto endurece.

          -Ele compreende-te, ele só te quer proteger e que tenhas uma boa vida. – Amália sorri com ternura ao olhar para mim.

          – Já tenho 17 anos, já sei o que faço!

          – Eu sei, mas tu serás sempre um bebé para nós.

          Levanto-me da cama. É sempre a mesma coisa: tratam-me como uma criança. Quando é que o Xavier e a Amália entendem que já sou uma jovem adulta? Que já sei o que quero? E que quero a minha dependência emocional deles?

          – Vou para o meu quarto. – Dirijo-me para a porta e saio.

          No meu quarto retiro a farda do colégio e visto outra roupa. Vou para a minha secretária fazer os trabalhos do colégio e por fim penso no que me aconteceu hoje e em toda a minha vida até hoje.

          Deixo as escadas a correr e vou para a sala de jantar.

          – Olá, William – digo ao passar pelo motorista.

          – Boa noite, menina. – Sorri.

          – Desculpem o atraso – digo ao entrar na sala de jantar.

          – Maria, é sempre o mesmo chegas constantemente atrasada ao jantar. O jantar é às 20 horas, não é às 20 e 5 nem 20 e 20, é às 20 horas percebes?

          – Desculpe, esteve a fazer os trabalhos do colégio. – Minto, tenho os trabalhos feitos à pelo menos a uma hora.

          – Estás sempre a fazer os trabalhos enquanto devias estar a jantar! – Um exagero de Xavier. – Ainda não me disseste a onde foste!

          – Por favor Xavier, estamos a jantar. – A Amália posa a sua mão no branco do Xavier.

          – Só quero saber onde andou a minha filha, Amália, e acho que tu também deves querer saber!

          – Já tenho idade suficiente para saber o que faço! – A minha voz agora é dura tal como a de Xavier e isso assusta-me, talvez não saiba os meus limites.

          – Minha menina, tu estás na minha casa, por isso, tu tens que viver sob as minhas regras. – A sua voz torna-se mais dura e mais audível que a minha.

          – Está bem, sendo assim, saio de casa! – Levanto-me e saio da sala de jantar, corro mas ainda oiço a Amália a chamar-me.

          Tranco-me no meu quarto e retiro a minha grande mala de viagem do roupeiro, meto-a em cima da minha grande cama, coloco lá dentro as minhas roupas preferidas, um fato de treino e a farda do colégio, 1 pare de ténis, um pare de sapatos, umas sabinas e uns chinelos. A Amália e o Xavier devem estar a discutir por nenhum deles estar a bater a porta do quarto.

          De repente oiço alguém a bater a porta, deve ser a Amália para bater a porta devagar e sem gritar.

          Abro a porta, e deixo ela entrar, ela fica surpreendida ao ver a minha mala de viagens em cima da minha cama aberta com roupa e sapatos lá dentro. Talvez não estivesse à espera que tivesse falar a sério, deve ter pensado que era só uma simples birra como sempre pensam.

          – Esta noite fico mas amanhã de manha vou-me embora. – Passa mil e uma coisas pela minha cabeça.

          – Para onde vais, filha? – O medo percorre o rosto e os olhos da Amália.

          – Não sei, mãe. Mas quero sair daqui! – A minha voz agora é nervosa e ansiosa, também eu estou com medo.

          – Ninguém te vai tirar essa ideia da cabeça, pois não?

          – Não mãe.

          – És tão teimosa como o teu pai! – Ela abraça-me. – Não te posso obrigar a nada, Maria, afinal de contas já estás grande para tomar decisões! Mas promete-me que me vais telefonar todos os dias, que me vens visitar-me de vez enquanto e que me dizes onde estás sempre. – Sinto uma lágrima a cair para o meu pescoço que vem do rosto da minha mãe.

          – Sim, mãe. – Afasto-me dela e limpo-lhe as lágrimas do rosto. – Vai ficar tudo bem!

          – Não queres ir lá abaixo comer? – Pára de chorar.

          – Não.

          – Então vou lá em baixo falar com o teu pai e peço a Renee para te trazer o jantar. – Acaricia-me o rosto.

          – Obrigada, mãe. – Sorrio e ela sai.

          Deito-me ao lado da mala e penso. É a única coisa que consigo fazer agora: pensar em tudo o que aconteceu hoje, o que posso fazer mais do que pensar?

          De repente alguém bate a porta.

          – Entra, Renee. – Ela tem uma maneira estranha de bater a porta mas é engraçado.

          - Está aqui o seu jantar, menina. – Ela coloca o tabuleiro em cima da minha secretaria.

          – Obrigada, Renee.

          – Menina… – Ela observa-me curiosamente mas assustada.

          – Sim, Renee? – Olho para ela desconfiada, imagino a pergunta que vem.

          – A menina Maria vai sair de casa? – Ela fala meio a medo.

          – Sim Renee, vou sair de casa. – Sorrio.

          – Para onde vai? A menina é tão pequena.

          – Renee, eu já não sou nenhuma criança e não sei para onde vou. – Levando-me da cama. – Agora deixa-me sozinha, por favor.

          – Sim menina.

          Sento-me a secretária e começo a comer. Quando acabo penso no que tenha descoberto esta tarde. Não podia sair de casa porque tenho que tirar os ficheiros do computador do Xavier e descobrir o como e porquê de ele os ter. Mas estou tão farta dele e do mau ambiente em casa que não suporto ficar cá nem mais um dia.

          Oiço a porta a bater com alguma violência, deve ser Xavier e ele entra logo a seguir sem permissão.

          – Maria, precisamos de falar! – O seu rosto é diferente do normal, indefinido, parece preocupado e nervoso.

          – Acho que já dissemos tudo! – Levanto-me serenamente.

          – Eu não disse tudo! – Ele fecha a porta e aproxima-se.

          Para ele não entrar pelo meu quarto a gritar e a fechar a porta a bruta é porque necessita de contar algo realmente importante. Ele fala comigo em português, o que nunca acontecia, já nem fala bem português, diz algumas palavras erradas e tem um grande sotaque americano.

          – O que se passa afinal? – Cruzo os braços debaixo do peito.

          – Talvez seja melhor sentarmos. – A sua simpatia começa-me a preocupar-me.

          – Estou bem de pé mas pode sentar-se. – Aponto para a cama e volto a cruzar os braços, mantenho-me fria e distante.

          Ele senta-se, observa-me nervoso, morde o lábio inferior e finalmente fala.

          – Acho que tenho leucemia. – Fala baixo olhando para o chão.

          – O quê? Tens leucemia? – Questiono, não devo ter ouvido bem.

          – Sim. – Ele agora olha-me nos olhos e fala mais alto. – Acho que tenho leucemia.

          O meu mundo cai e estou assustada. A minha vida deu mais uma volta de 180º graus sem eu estar a espera, sem eu pedir ou prever, num dia que custa em terminar.

          – A mãe? A mãe já sabe? – Não tinha a certeza que o Xavier tivesse contado a Amália, ela pareceu-me normal nos últimos tempos.

          – Não, ainda não fui capaz de lhe contar mas só lhe quero contar quando tiver a certeza … por isso Maria, eu peço-te que fiques pelo menos até eu saber os resultados e se tiver que contar a tua mãe.

          O Xavier não quer contar a Amália que pode ter leucemia parece, uma cobardia por parte dele, que sempre se mostra tão forte! Não desejo ficar cá em casa mas só pela Amália eu fico.

          – Obrigada, filha. – A levanta-se e abraça-me.

           Foi tão estranho este momento, tenho tão poucas recordações em que ele me chama filha e me abraça. Já nem sei o que isso é.

           Deito-me da cama, por debaixo dos cobertores. O sono não vem, parece que vou passar a noite em branco. Olho para o relógio digital encima da minha mesa-de-cabeceira e ainda é uma e meia da manhã. O que posso fazer? Esperar que o sono venha?

          Tudo o que tinha acontecido está-me a dar cabo dos nervos. Num único dia entro numa outra vida, agora uma vida dupla, e descubro que o Xavier pode ter leucemia.

          Não me sai duas perguntas da cabeça: Como será a minha vida dupla? E o que acontecera a minha família se o Xavier tiver leucemia?

          Acordo e olho para o relógio, estou mais uma vez atrasada e visto-me a pressa.

          – William, leva-me a casa do Louis por favor – digo ao ver o motorista a entrar cozinha enquanto acabo de comer.

          – Sim, menina! – Sorri.

           – Louis desculpa o atraso! – Dou-lhe um suave beijo e entro em casa.

          - Estás 15 minutos atrasada! Nós não aceitamos atrasos! – Diz friamente Benjamin.

          Benjamin está no fundo da sala, a observar-me duramente. Como eu detesto aquela expressão que ele faz, faz-me lembrar o Xavier. A Erica aparece ao seu lado sorridente.

          – Olá querida. Não te preocupes, a Caroline também está sempre atrasada.

          – Ben, não stress, já cheguei! – Caroline vem sorridente como sempre a descer as escadas.

           – Vocês têm que aprender a não se atrasar.

           – Ben, deixa as miúdas! – Diz a Erica calma mas um pouco irritada perto do ouvido dele.

          – Tinha coisas para preparar. – A Caroline justifica-se. – Maria vem comigo para o meu quarto para fazer algumas coisas no teu computador.

 

1º Capitulo – A Verdade. 16/02/2010

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                A porta abre-se, o meu coração acelera, o Louis aperta-me a minha mão contra a sua e finalmente entramos.

                -Boa tarde. – Uma senhora de meia-idade baixa, já com alguns cabelos brancos mas bela, e com uma farda azul de empregada doméstica, fecha a porta e sorri para nós. – Podem ir para a sala de estar que vou chamar a menina Erica.

                -Obrigada, Anne. – O Louis sorri.

                O meu coração acelera a cada instante que passa sem saber o que irá acontecer a seguir, a adrenalina percorre todo o meu corpo com medo do que iria ouvir e as minhas mãos e pernas tremem de nervosismo.

                Dirigimo-nos para a sala de estar e esta, tal como o hall, é creme e castanho; as paredes são castanhas com algumas flores cremes; os móveis, os sofás e os cortinados combinam igualmente; as almofadas, os candeeiros e as molduras das fotografias são castanhos bem como o chão de alcatifa.

                Observo tudo ao pormenor, a sala é grande mas agradável e acolhedora, não sei se é minha imaginação mas encontra-se sempre um pormenor em tudo o que observa: uma fotografia, flores ou objectos pessoais.

                -Maria. – Louis chama-me, já me tinha esquecido da presença dele ao meu lado. – Quero que saibas que te amo.

                -Porquê estás a dizer isso agora, Louis? – Intervenho rapidamente.

                -Porque as coisas que podes ouvir lá dentro pode te parecer que namoro contigo por interesse mas não é verdade. Eu amo-te! – Beija-me na testa.

                -Promete-me que a partir de hoje serás honesto comigo, que iremos sempre dizer a verdade um ao outro!

                -Prometo-te. – Responde sem pensar duas vezes. – Prometo que a partir de hoje serei sempre honesto contigo. Jamais te mentirei. – Pega nas minhas mãos e acaricia.

                Viro-me rapidamente para trás ao ouvir uma porta a fechar. Foi um rapaz jovem que o tinha feito e que agora pega a mão de uma rapariga parecida com o Louis. Deve ser a Erica, a irmão mais velha de Louis, o rapaz o namorado dela.

                Erica tal como o irmão têm a pele clara, olhos castanhos esverdeados, cabelos claros e curtos. Ela ao contrário do Louis é baixa mas não retira a elegância que ele também tem. Parece ter vinte anos de idade.

                O rapaz é alto e magro, moreno, cabelos escuros e curtos e olhos pretos. Deve ter por volta dos 25 anos.

                -Olá. – Eles aproximam-se. – Tu deves ser a Maria. Eu sou a Erica. – Sorri e cumprimenta-me. – Este é o Benjamin.

                -Olá – diz indiferente Benjamin.

                -Boa tarde – digo timidamente.

                -Está tudo pronto? – Louis parece tão nervoso quando eu.

                -Sim. Só falta a Caroline. – Diz calmamente a Erica.

               -Já estou cá.

                Olhamos todos para o cimo das escadas. Lá está a pequena Caroline vestida de branco como a maioria das vezes e descalça. Fisicamente tem as mesmas características da sua irmã mas ao contrário da sua irmã tem o cabelo comprido. Já tem um corpo de uma rapariga de 16 anos mas com um rosto de criança: infantil e risonha.

                -Ainda bem, vamos para o escritório – diz seriamente o Benjamin.

                A Caroline desce rapidamente e dirigimos para o escritório, onde a Erica e o Benjamin anteriormente tinham estado.

                -És sempre a mesma, pequena. – Erica bate suavemente com a ponta do dedo indicador no nariz da sua irmã ao entrarem no escritório, a Caroline sorri.

                Surpreendo-me ao entrar no escritório. É lindo! As paredes são da cor azul-marinha. Há uma parede que tem desenhada a praia Zuma Beach. O chão de alcatifa e o sofá são cremes. A mesa de reuniões e a secretária são de vidro e de madeira e ao olhar sobre o vidro da superfície vê-se areia, conchas e búzios.

                Enquanto eles todos se sentam, a Erica e o Benjamin sentam-se na mesa de reuniões e a Caroline senta-se no sofá, o Louis permanece ao meu lado e eu observo mais uma vez tudo ao pormenor.

                -É giro, não é? – Questiona-me Louis ao meu ouvido.

                -É. Mas não viemos aqui para ver a casa. – Falo suficientemente alto para que todos possam ouvir o que digo. – Quero saber o que me têm para contar.

                O Benjamin olha-me surpreendido mas duramente, Erica mantém-se calma e tranquila e a Caroline aumenta o seu sorriso infantil e o seu brilho nos olhos.

                Eu e o Louis sentamos no sofá, fico no lugar do meio, entre o Louis e a Caroline, e finalmente explicam-me o que querem de mim.

                -Nós pertencemos a um grupo de espiões que se aproveita dos mais ricos para dar aos mais pobres. – Benjamin continua com a sua expressão dura e fria.

                -Somos, tipo, o Rob dos Bosques em versão moderna. – Ri Caroline.

                Benjamin despreza o que a Caroline diz e continua o seu discurso:

                -Mas há um pequeno problema: a um outro grupo de espiões que andam a tentar destruir-nos. É um grupo de espiões que são contratados para espiar, matar, torturar, violar, esses tipos de coisas. Nós tiramos dinheiro aos ricos, para estes não puderam pagar os serviços ao outro grupo. Por isso, já entramos em conflito.

                -Está bem, isso é de loucos mas o que eu tenho a ver com isso? – A minha expressão é de surpresa. Quem é que está à espera de ouvir este tipo de coisas?

               -Descobrimos que o Xavier tem ficheiros que diz quais são os principais clientes do outro grupo de espiões e nós queremos esses ficheiros, por isso, vigiamos a tua família durante um ano porque precisamos de alguém que seja próximo dele para roubar os ficheiros e tu és a pessoa indicada. – Ele olha-me ameaçadoramente, definitivamente não gosta de mim.

                -Só tenho de fazer isso? – Ainda pergunto “só?”; isto é demasiada informação de uma vez. – Roubar os ficheiros?

                -Não, ainda vais ter alguns treinos para poderes fazer algumas missões connosco.

                -Que tipos de missões?

                -Não interessa agora!

                -Está bem… – As minhas mãos tremem, tudo isto está a assustar-me. – Quando é que começa os treinos?

                -Amanhã de manhã. Vem cá as 9 horas e trás o teu computador portátil.

                 -Para que querem o meu portátil? – Os meus olhos aumentaram de surpresa.

                 -Logo vês. – Sorri Caroline.

                 -A reunião acaba por hoje. – Os músculos da cara de Benjamin relaxam, parece que ele não quer que saiba muitas coisas sobre os dois grupos e o que tenho que fazer.

                Eu e Louis levantamos do sofá e despeço da Caroline e da Erica.

                -Adeus, Benjamin. – Tento retirar os olhos dele das pastas que está a mexer e que olhe para mim mas não resulta.

                -Adeus – diz numa voz baixa e rapidamente.

                Vou em silêncio até ao carro. Tenho que pensar em tudo o que tinha ouvido.

                 -Estás muito silenciosa, Maria. – Louis tira os olhos da estrada e olha-me.

                -O Benjamin não gosta de mim. – Esta frase sai-me sem pensar.

                -Oh, ele é assim mesmo quando não conhece as pessoas. – Volta a olhar para a estrada.

                -Vocês vigiaram-me durante um ano, já deviam conhecer-me minimamente. E eu é que não devia gostar dele por meter-me nisto.

                 -Ele acha que tu não vais ser capaz de roubar os ficheiros nem entrar no escritório de Xavier e ele acha-te que és muito menina da mamã.

                -Para quem vigiou-me durante um ano parece que não me conhece! – A raiva aumentava dentro de mim, o Benjamin quer-me do grupo de espiões dele e duvida das minhas capacidades. – Mas é só isso? Ele não gosta mim só porque acha que não sou capaz de roubar os ficheiros ao Xavier?

                -Sim. – Ele olha para mim. – Mas não tens que te meter nisto, Maria.

                -Já me meti, Louis, quando há um ano atrás vocês começaram a vigiar-me.

                -Estou a falar a sério, Maria! – Ele olha-me de lado.

                -Eu também! – Olho-o da mesma maneira.

                Apesar de me mostrar confiante ainda estou assustada. O Benjamin tem razão para duvidar de como irei entrar no escritório de Xavier sem ninguém dar por nada e roubar os ficheiros. Ele mantém o seu escritório sempre fechado, não permitia que ninguém entrasse, só a Amália e a Renee para limpá-lo mas só quando está lá. Mas isso não pode ser um obstáculo para roubar os ficheiros.

                -Maria, chegámos – diz-me Louis ao parar o carro à entrada da minha casa e ao olhar para mim. Estava tão pensativa que não reparei que tinha chegado.

                -Adeus. – Dou-lhe um suave e rápido beijo.

                -Adeus, queres que te vá buscar amanhã? – Pergunta-me enquanto saio do carro.

                 -Não é preciso, eu vou lá ter. – E fecho a porta do carro.

 

Introdução 15/02/2010

Filed under: FanFic,Histórias — CatarinaGL @ 12:39

               

                Há alturas na nossa vida em que pensamos que esta vai-se manter para sempre na mesma maneira, com coisas boas, com coisas más e com coisas que nos são indiferentes.

                Mas normalmente é nessas alturas que aparece algo que muda a nossa vida por completo, que pensamos ser impossível e muito menos que nos possam acontecer.

                Ainda não me apresentei, sou a Maria Lima, tenho 17 anos, sou portuguesa mas vivo em Los Angeles desde os cinco anos. Vivo com os meus pais e não tenho irmãos. Estou no último ano numa Secundária Privada dos arredores desta cidade e o meu sonho é tornar-me jornalista para poder viajar e descobrir outros países, culturas e pessoas, mas acima de tudo, poder informar a população sobre o que está a passar-se no seu mundo.

                A minha vida mudou por completamente quando o meu namorado me pediu para ir com ele, no dia seguinte à tarde, a casa da sua irmã mais velha porque necessitava de me contar uma verdade. Uma verdade surpreendente, que me obrigou a ter uma vida dupla, uma vida indesejada ou mesmo imaginável.

                Vou-vos contar toda a minha vida dupla!

 

 
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