-O Benjamin não gosta mesmo de mim! – Digo quando chego ao primeiro piso da casa enquanto observo todo o piso.
O piso era verde-claro, bege e castanho e é muito simples, um simples corredor com paredes pintadas de verde-claro e chão bege, uma pequena mesa de madeira no meio do corredor com algumas molduras com fotos dos três irmãos e algumas velas verdes e beges.
-Oh, não digas isso, o Benjamin é assim para quem não conhece bem, ele também foi assim quando me conheceu e sou a irmã da namorada. É só um pouco mais duro contigo porque estamos num caso difícil e acha que não és capaz! – Caroline anda ao meu lado pelo corredor, sorria e encolhia os ombros como uma criança. – Tira os sapatos. – Pede a entrada de uma nova divisão.
Retiro os sapatos e entramos. É o quarto de Caroline. É lindo, é a cara de Caroline! Todo branco, até o chão que é de alcatifa macia. Tem na parede molduras brancas a fazer o símbolo da paz e do amor com fotografias a preto e branco dela e da sua família, ao pé da janela tem uma cadeira redonda pendurada na parede, parece uma lua em quarto minguante e a sua cama enorme tem ao seu redor uma cortina branco semi-transparente.
-O teu quarto é lindo, Caroline! – Ainda observo o seu quarto ao pormenor. Acho engraçado ao facto de a Caroline ter o roupeiro aberto e tê-lo desarrumado e a cadeira ao lado cheio de roupas a maior parte delas brancas, a Caroline ao contrário do seu irmão e talvez também da sua irmã é um pouco desorganizada mas mesmo assim tira boa notas tal como o irmão.
-Obrigada! – Ela sorri alegremente, parece mesmo uma criança. – Foi o Benjamin que o desenhou.
Esta informação surpreendeu-me, não esperava que uma pessoa como Benjamin fosse capaz ser tão bom designer, que todos os pormenores do quarto condissessem tão bem com a personalidade de Caroline, e que desenha-se um quarto especialmente para a irmã da sua namorada.
-Para quem tem mau feitio tem muito bom gosto e jeito!
Caroline dá uma gargalhada.
-Não precisas de ser má Maria, o Benjamin pode ter um pouco de mau feitio mas isso não significa que tenha mau gosto e que seja mau designer.
-Continuo a achar que ele tem alguma coisa contra mim!
-Continuo a dizer que ele é mesmo assim! – Ficamos por segundos em silêncio. – Dá-me o teu portátil.
Dou-lhe o meu portátil cor-de-rosa e ela começa a abrir o interior dele.
-Já estamos prontas, podemos ir! – Diz Caroline ao entramos da sala de estar.
-Já não era sem tempo! Maria, espero que o tempo que chegastes atrasada tenha sido o suficiente para trazeres o fato de treino.
-Tu não gostas mesmo de mim, pois não Benjamin?
-Não é uma questão de gostar ou não gostar! É uma questão de seres capaz ou não de teres uma vida dupla!
-OK, mas gostas ou não de mim? – Não estou com vontade de fazer um escândalo na casa de alguém que mal conheço mas não quero sair daqui até saber o porquê do Benjamin de não gostar de mim.
-Isso não importa!
-Sim ou não?
-Não importa!
-O que tens contra mim? – Não tenho só a certeza que o Benjamin não gosta de mim mas como tem algo contra mim.
-Vamos embora, temos mais que fazer! – Diz a Erica calma mas despachada.
-Ok, mas um dia o Benjamin ira-me responder! – Simplesmente desisto da discussão por vontade a Erica e por respeito a esta e aos irmãos.
-És sempre assim? – Questiona-me a Erica ao entrarmos nos balneários do ginásio.
-Assim como?
-Frontal!? Sim Erica, a Maria está sempre a dizer aquilo que pensa. – A Caroline parece uma criança feliz a falar de algo que conhece bem, a andar atrás da sua.
-O Benjamin não gosta muito de ser enfrentado mas contigo não haverá problemas. Porque tu tens personalidade. – A Erica pisca-me o olho ao pousar a sua mala num dos bancos. – Eu confio em ti!
-Eu tenho a sensação que nos vais dar jeito! – A Caroline sorri e faz o mesmo que a sua irmã.
– O teu sexto sentido raramente te falha – Erica bate suavemente com o seu dedo indicador no nariz na sua irmã.
-Erica, desculpa ter sido mal-educada em tua casa. – Peço envergonhada.
-Maria, não tens que pedir desculpas por seres tu mesma. Tens personalidade forte, gostas de enfrentar as pessoas, gosto de ti assim. Não achei que fosses mal-educada, só não achei o momento certo para o enfrentares.
Sorrio, não esperava que Erica gostasse de mim mal me conhecendo, a maioria das pessoas não gostam muito de mim quando me conhecem, pelo simples facto de me acharem mimada e com mania.
-O que vamos fazer? Estou cá com uma energia! – Diz Caroline ao chegarmos a saída dos balneários aos saltinhos.
-Já que estás com tanta energia vai com a Maria descobrir as suas qualidades. – Diz o Benjamin mal-humorado.
-Queria ser eu a fazer isso!
-Não quero distracções, Louis! Não há tempo para namorar! – O Benjamin e a Erica partem enquanto Louis dá-me um beijo rápido e vai atrás deles.
A Caroline e eu começamos a andar pelo ginásio.
-Que desportos gostas mais, Maria?
-Nenhum, não gosto de fazer exercício físico! – Comento sem vontade fazer o quer que seja neste espaço.
-Porquê? As pessoas que não gostam de fazer exercícios físicos também têm desportos preferidos! – A Caroline salta para a passadeira rolante e eu com má vontade faço o mesmo.
– Gosto de basquetebol e natação – respondo depois de ter pensado uns segundos.
Caroline faz uma careta e começa a correr mais depressa.
-Prefiro atletismo ou futebol.
-Estou cansada! – Desligo a passadeira e volto ao piso e a Caroline faz o mesmo. – Ok. Vamos para onde?
A Caroline começa a andar muito rápido. Para uma pessoa tão pequena é difícil de acompanha-la.
-Vamos para o campo de jogos. – Respondo alto o suficiente para eu poder ouvir a distância de diferença que temos.
Saímos por uma pequena porta de emergência para dois campos pequenos ao ar livre, um de basquetebol e outro de futebol. Sinto um pouco de frio mas agora não voltarei aos balneários para trazer o casaco.
Caroline pega numa bola de basquetebol que está no balde ao lado da porta e joga para mim e correr para o cesto de basquetebol mais longe.
-Vamos jogar basquetebol!
Driblo a bola enquanto corro para perto da Caroline. A minha maneira de driblar e de correr é desajeitado e perco a bola ao bater no meu pé, a bola chega aos pés da Caroline, ela pega na bola, lança e acerta no cesto. A Caroline vai buscar a bola e começamos a jogar.
-És um pouco desajeitada mas tens boa pontaria! – A Caroline senta-se no chão ao pé do cesto com a bola no colo, como sempre parece uma criança a sorrir. – Vais começar a treinar com armas.
-O que? – Sento-me ao lado dela. – Queres que eu mato pessoas? Aos tiros e as facadas? – Sinto-me assustada.
-Não é isso, Maria. Nós só matamos em nossa defesa, só quando sentimos ameaçados e nós querem matar – explica calmamente. – Cada um de nós é fisicamente melhor numas coisas do que noutras e temos que treinar no que somos melhores. Claro, que também temos que treinar as outras coisas. Tu és melhor na pontaria, por isso, vamos treinar isso.



